2026 deve marcar uma virada de maturidade: menos “corrida por ferramenta” e mais governança — com redes sendo pressionadas a provar valor pedagógico, proteger dados e reforçar cibersegurança, ao mesmo tempo em que a IA se torna onipresente (e mais cara) no dia a dia escolar.
💸 IA sob lupa: orçamento apertado e “fim do grátis”
A tendência mais imediata é financeira e estratégica: redes com orçamento mais pressionado terão que decidir o que realmente vale pagar em IA — e isso fica mais tenso quando ferramentas antes gratuitas migram para modelos pagos. O texto já antecipa esse cenário e aponta um detalhe crucial: a discussão deixa de ser “IA sim ou não” e passa a ser “qual caso de uso, qual evidência, qual custo total (licenças, formação, governança e suporte)”.
No Brasil, isso bate direto em dois problemas estruturais: (1) redes que compram tecnologia por impulso ou por pressão comercial (sem avaliação de impacto) e (2) dependência de soluções “freemium” que viram custo permanente depois. Como aqui a desigualdade entre redes é enorme, a tendência é ampliar o fosso: quem tem time técnico e orçamento negocia melhor; quem não tem, fica refém do “pacote pronto”. Um caminho realista é amarrar adoção de IA a critérios públicos: transparência de modelo, política de dados, propósito pedagógico e plano de formação docente. E isso conversa com o movimento recente do MEC de construir um referencial para uso responsável de IA (consulta pública), que pode virar norte para compras e contratos — se for traduzido em exigências práticas.
🛡️ Privacidade e contratos: fornecedores mais cobrados
A segunda tendência é “jurídica-operacional”: com investigações, acordos e vazamentos envolvendo fornecedores de edtech, a resposta esperada é mais fiscalização e contratos mais detalhados. O texto destaca mudanças na COPPA (EUA) que obrigam mais transparência para escolas sobre coleta/uso de dados e limitam retenção — e indica um apetite político grande por ampliar proteções para crianças e adolescentes.
No Brasil, a LGPD já coloca esse peso sobre escolas, redes e fornecedores — mas, na prática, a execução ainda é desigual: muitas redes não têm equipe jurídica/tecnológica para negociar cláusulas mínimas (retenção, suboperadores, logs, criptografia, prazo de exclusão, auditoria, notificação de incidente). O resultado é um paradoxo: quanto mais a escola digitaliza (diários, plataformas, avaliação, comunicação), mais ela acumula risco sem ter musculatura de governança. Um “atalho sistêmico” seria o que quase nunca fazemos bem: padronizar. Modelos de contrato e checklists nacionais/estaduais (com cláusulas LGPD prontas) reduziriam a assimetria entre grandes capitais e municípios pequenos e tornariam a conformidade menos dependente de heróis locais.
🔒 Cibersegurança: escolas continuam vulneráveis, com menos apoio central
A terceira tendência é a mais perigosa porque costuma ser invisível até dar errado: a vulnerabilidade das redes escolares a ataques. O texto aponta perda de recursos federais de apoio à cibersegurança e projeta aumento do risco em 2026, inclusive com criminosos usando IA para sofisticar ataques — ao mesmo tempo em que a própria IA pode ajudar redes a detectar falhas. Também entra na pauta a obrigação de reportar incidentes (em prazos curtos) para distritos maiores.
No Brasil, essa conversa tende a crescer por um motivo simples: estamos conectando mais escolas — e conectividade sem segurança aumenta a superfície de ataque. O programa Escolas Conectadas avançou em 2025 e o governo reforça a meta de universalização até 2026, o que é ótimo para equidade digital, mas exige um “segundo pilar” que quase sempre fica para depois: segurança básica em escala (MFA, segmentação de rede, backup testado, gestão de identidade, resposta a incidentes e treinamento).
O problema estrutural aqui é conhecido: muitas secretarias não têm time de TI suficiente nem orçamento dedicado a segurança; escolas terceirizam tudo e ainda assim ficam sem visibilidade do risco. Se 2026 for mesmo um ano de endurecimento, a melhor estratégia para redes brasileiras é agir como sistema: consórcios regionais, centros compartilhados de resposta a incidentes, requisitos mínimos para fornecedores e rotinas padronizadas — para que “segurança” deixe de ser um extra opcional e vire parte do custo de funcionamento, como água e luz.
✅ Conclusão
As três tendências apontam para a mesma mudança: edtech em 2026 não será sobre ter “mais tecnologia”, e sim sobre ter tecnologia com responsabilidade — escolhida com rigor, contratada com proteção de dados e sustentada por cibersegurança. Nos EUA, isso aparece como pressão por accountability e cortes/ausência de suporte central; no Brasil, a pauta é parecida, mas potencializada por desigualdade entre redes e fragilidade de capacidade instalada. Se a conectividade avança (como vem avançando), o próximo salto precisa ser de governança: critérios de compra, cláusulas-padrão, formação docente e segurança operacional mínima — ou a inovação vira apenas mais um vetor de risco dentro de um sistema já sobrecarregado.
Leia a notícia original na íntegra em: https://www.k12dive.com/news/3-trends-that-will-shape-ed-tech-in-2026/810645/
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