Enamed 2025: nota de corte e “médico minimamente competente”

O Enamed estreia com uma definição objetiva de proficiência mínima (60,0 pontos na escala TRI) e, ao fazer isso, transforma uma prova em instrumento de padronização da qualidade formativa — ainda que, por enquanto, sem impacto explícito na colação de grau.

🧭 O que a nota de corte realmente sinaliza

A nota 60,0 não é “nota para passar” na graduação. Ela funciona como um marco técnico para identificar o nível considerado “minimamente competente” e produzir indicadores sobre a formação dos concluintes, criando uma régua nacional de referência.

👩‍⚕️ Quem é o “médico minimamente competente” no Enamed

O conceito foi construído por especialistas da CAI com foco em um perfil que: mantém compromisso ético, integra conhecimentos clínicos, atua bem na atenção primária e resolve urgências comuns. Ou seja, a referência não é excelência, e sim segurança mínima para prática inicial.

🧮 Como o corte foi calculado (e por que isso importa)

A definição passa por duas camadas:

  • Angoff Modificado: especialistas estimam a chance de acerto por esse “egresso minimamente competente”, chegando a 57,87% de acertos após exclusões técnicas.
  • Conversão para TRI: esse percentual vira nota na escala de proficiência (média 67,018; DP 17,544), fixando o corte em 60,0. Na prática, isso dá ao Inep um padrão comparável ao longo do tempo, sem depender apenas de “quantos acertos”.

🔁 Enamed x Enare: mesma prova, leituras diferentes

O texto deixa claro o ponto que mais gera confusão: a prova é a mesma, mas o uso é diferente.

  • Enamed: avaliação da formação, com TRI e comparabilidade.
  • Enare: seleção para residência, com contagem simples e exigência de 50% de acertos para habilitação. Resultado: um candidato pode ficar abaixo de 60,0 no Enamed e, ainda assim, estar acima de 50% no Enare.

⚖️ Efeito prático e a “zona cinzenta” da formatura

O texto é cuidadoso: os documentos técnicos falam em avaliação e indicadores, mas não afirmam que ficar abaixo do corte impeça colação de grau. Isso abre um espaço importante de interpretação: por enquanto, o corte parece funcionar mais como parâmetro de qualidade do sistema do que como barreira individual formal.

✅ Conclusão

O Enamed 2025 inaugura uma “régua” nacional de proficiência mínima com base técnica (Angoff + TRI), definindo o que seria um egresso “minimamente competente” para fins de avaliação da formação. O principal ponto de atenção é a comunicação pública: como a mesma prova também dialoga com o Enare, a diferença entre TRI e porcentagem de acertos pode confundir — e alimentar debates sobre justiça, transparência e uso futuro desses resultados.

Leia a notícia original na íntegra em: https://g1.globo.com/educacao/noticia/2026/01/02/enamed-2025-nota-de-corte-define-nivel-de-medico-minimamente-competente-veja-como-e-calculada.ghtml

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