O texto mostra que o Enamed deixou de ser apenas uma avaliação educacional e virou uma disputa jurídica e regulatória: de um lado, o MEC tenta usar o resultado para sancionar cursos; de outro, universidades privadas e entidades contestam método, regras e consequências — enquanto o CFM discute restringir registro profissional de egressos com baixo desempenho.
⚖️ Por que o Enamed virou crise jurídica
A tensão começa quando, após divulgar os resultados da primeira edição, o MEC anuncia sanções para cursos “insatisfatórios” (como impedir novas turmas e reduzir vagas). A Anup judicializa o tema argumentando que o exame ainda seria experimental e marcado por erros e inconsistências, e que não deveria fundamentar punições imediatas.
📉 O tamanho do problema: 30% dos cursos sob risco
Os dados divulgados em 19 de janeiro de 2026 apontam que cerca de 30% dos 351 cursos avaliados ficaram nos conceitos 1 e 2. O texto lista consequências possíveis: suspensão de ingresso, redução de até 50% das vagas e exclusão de Fies e Prouni — o que torna a nota do exame uma variável de sobrevivência institucional.
🧮 A crítica central da Anup: avaliação “unidimensional”
O argumento mais estratégico da Anup é que o MEC teria reduzido a avaliação da qualidade a um indicador baseado quase exclusivamente na nota dos alunos, ignorando outros componentes historicamente considerados (como corpo docente e infraestrutura). O texto destaca que, pela leitura da entidade, o exame estaria sendo usado como se valesse muito mais do que a parcela prevista na lógica do SINAES.
🎓 11º período no cálculo: formação incompleta e baixo engajamento
Outro ponto de disputa é a inclusão de alunos do 11º período, que ainda não teriam concluído internato e ciclo formativo completo. A Anup sustenta que exigir “proficiência profissional” nessa etapa seria inadequado e que esses estudantes puxaram resultados para baixo — além de que parte deles teria feito a prova sem compromisso, por considerar que poderia refazê-la no 12º semestre.
🔄 “Mudança de regra” depois da prova e previsibilidade em xeque
O texto também aponta questionamento sobre segurança jurídica: parâmetros de proficiência e metodologia só teriam sido divulgados em dezembro de 2025, após a prova de outubro. Isso reforça a narrativa de que estudantes e instituições foram avaliados por critérios que não conheciam no momento do exame.
📊 A “inconsistência de dados” do Inep e o efeito dominó
Um ponto que pesa muito na crise é a inconsistência admitida pelo Inep: notas preliminares teriam circulado com corte de 58 (Angoff), mas o resultado final usou 60 (TRI), rebaixando conceitos de instituições de forma inesperada. O texto destaca que, apesar de reconhecer a inconsistência, o Inep não sinaliza revisão do resultado final.
🩺 CFM e o debate sobre barrar registros de 13 mil egressos
O CFM estuda uma resolução para impedir registro profissional (CRM) dos cerca de 13 mil alunos que não atingiram nota mínima. Mas o texto ressalta a contestação jurídica: advogados apontam que o registro é consequência do diploma de curso reconhecido e que o conselho não poderia criar, por norma própria, uma exigência que a lei não prevê.
🏛️ O que a Anup pede na Justiça (e o status do caso)
A associação busca suspender sanções, recalcular conceitos (preferindo acerto simples em vez de TRI) e retirar alunos do 11º período do cálculo. O pedido inicial de suspensão foi negado por falta de “perigo de dano imediato”, mas o processo segue com novos fatos — especialmente ligados às inconsistências.
🚑 Risco duplo: saúde pública x judicialização em massa
O texto coloca um impasse típico de políticas públicas:
✅ Conclusão
O Enamed se tornou um teste de estresse do sistema: para o MEC, é instrumento de regulação e qualidade; para a Anup, foi aplicado com fragilidades e está sendo usado além do “limite” esperado; para o CFM, é uma oportunidade de pressionar por barreiras de entrada — ainda sem base legal clara. Se o impasse persistir, o cenário tende a combinar insegurança institucional, disputa reputacional e corrida ao Judiciário. E o próprio texto aponta a “saída política” que pode redesenhar tudo: avançar um exame de proficiência obrigatório (como o Profimed), que daria sustentação legal ao que hoje aparece apenas como intenção regulatória.
Leia a notícia original na íntegra em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/20/projetos-no-congresso-criam-oab-da-medicina-mas-tema-esta-travado-30percent-dos-cursos-foram-mal-avaliados.ghtml