Projetos no Congresso criam “OAB da Medicina”, mas tema segue travado

O texto mostra que a ideia de um exame obrigatório para registro profissional (o ProfiMed) ganhou força no Congresso em meio ao desgaste do Enamed, mas ainda está emperrada na tramitação — enquanto os resultados recentes (30% dos cursos com notas 1 e 2) aceleram a pressão política por “um filtro” de entrada na profissão.

🧾 Por que o tema voltou ao centro do debate agora

A divulgação do Enamed, com cerca de 30% dos cursos avaliados como insatisfatórios, funciona como combustível para a pauta. O texto conecta diretamente esse dado a possíveis punições (restrição no Fies e suspensão de abertura de novas vagas), reforçando o argumento de “crise de qualidade” na formação médica.

🩺 ProfiMed como “barreira de entrada” para o CRM

A proposta central é simples: além do diploma, o recém-formado só conseguiria o registro no CRM se fosse aprovado no ProfiMed. É a mudança mais sensível, porque altera o fluxo atual em que a colação de grau já habilita o pedido de registro profissional.

🏛️ CFM reforça o discurso de segurança do paciente

O texto mostra o Conselho Federal de Medicina defendendo o exame como “necessário” para garantir que apenas profissionais capacitados ingressem na prática, posicionando o ProfiMed como política de proteção da população. A argumentação é estruturada em torno de “padrão mínimo” e risco sistêmico de formação fragilizada.

🧨 Caso emblemático vira pano de fundo (e narrativa pública)

A reportagem usa um episódio concreto — uma mulher declarada morta e depois reanimada — como exemplo que inflama a discussão sobre falhas no atendimento e competência profissional. Mesmo não sendo prova direta de problema de formação, o caso funciona como narrativa de alto impacto para justificar urgência e pressão social.

🧩 Dois projetos avançados, dois desenhos bem diferentes

O texto evidencia que o “ProfiMed” não é uma única proposta:

  • Senado (Marcos Pontes): exame obrigatório para egressos + instrumentos de monitoramento da formação (Enamed no 4º ano, plano de expansão de residência com meta até 2035, e competência exclusiva da União para autorizar e supervisionar cursos). Está aprovado na CAS, mas ainda precisa de turno suplementar.
  • Câmara (Doutor Luizinho): exame como requisito para exercício e registro, com aplicação seriada do 3º ao 6º ano, exigindo mínimo de 60% em cada etapa e prevendo repescagem. Teve urgência aprovada e vai direto ao plenário.

⛔ Por que está “travado”, mesmo com pressão

Mesmo com a pauta aquecida, o texto sugere que o entrave é legislativo: no Senado, falta o turno suplementar; na Câmara, falta votação em plenário. E, em ambos os casos, ainda haveria o caminho completo até sanção presidencial — ou seja, a pressão social existe, mas o desenho final depende de acordos políticos e de como cada casa vai aceitar (ou modificar) a proposta da outra.

✅ Conclusão

A reportagem mostra um movimento claro: o Enamed virou diagnóstico (com 30% de cursos mal avaliados) e o ProfiMed aparece como “tratamento” — uma tentativa de criar uma barreira nacional para entrada no exercício profissional. O impasse é que há mais de um modelo em disputa: um exame único após a formatura (Senado) ou um percurso seriado durante o curso (Câmara). O desfecho tende a definir não só quem pode obter CRM, mas também como as faculdades serão pressionadas a reorganizar currículos, práticas e internatos — e como o país pretende equilibrar expansão de vagas, qualidade da formação e segurança do cuidado em saúde.

Leia a notícia original na íntegra em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/01/20/projetos-no-congresso-criam-oab-da-medicina-mas-tema-esta-travado-30percent-dos-cursos-foram-mal-avaliados.ghtml

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